Eu não terminei
de falar sobre o jardim botânico! Vamos lá. Falei que o famoso joalheiro
Antonio Bernardo é quem cuida do orquidário, só não postei uma foto das flores jóias.
Aqui está. Não são lindas? A experiência do jardim é inebriante, não somente
pela suntuosidade de todas as espécies, mas também por causa do canto dos pássaros
e do cheiro sensual de natureza, essa mistura de mato, de terra molhada, folhas
murchas e clorofila.
O carrinho
estacionou um momento diante do jardim japonês. Pudemos descer e contemplar
durante alguns minutos o delicado espaço. Vi logo o jardim seco onde havia um abrigo hexagonal
de madeira, areia branca em torno e rochas representando a longevidade. Tive
vontade de ficar lá parada, ou melhor, plantada que nem uma cerejeira. Queria
ficar meditando por um bom momento, mas o tempo estava contado. Atravessei a
pontezinha arqueada que cruza o lago repleto de languidas carpas deslizando
entre as plantas aquáticas. Em torno de mim uma profusão de bambus e selaginellas. De tempo em tempo dava para ouvir um barulho oco,
uma batida regular e repetida vindo da água. Depois de alguns segundos eu
descobri a origem do som. Ele vem de uma cascatinha que enche um bambu serrado
ao meio. Depois de cheio, o peso da água faz ele se abaixar e derramar o líquido
num outro bambu formando assim uma delicada queda d água. O estranho ruído vem
da batida dos bambus se chocando entre si.
Tivemos que
voltar até o carrinho. Fiquei sentada no fundo, dando de costa para o motorista
e com a visão livre já que não havia as cabeças de outros turistas para atrapalhar a minha apreciação do jardim. Percorremos as alamedas bordada pelas
dignas palmeiras imperiais. Amo de paixão essas nobres arvores, são de extrema elegância.
Ao atravessar o jardim botânico, eu tive vontade de cantar: Minha alma canta,
vejo o Rio de Janeiro...

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